Essa imagem poderia ser fruto de ficção, talvez até o Tropa de Elite 3, mas trata-se de um cenário real, no qual vimos cenas dignas de guerra. A onda de violência na capital fluminense ocorre justamente num momento em que a cidade tenta promover uma imagem positiva de si mesma no exterior por conta da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O grande desafio do governo, agora, é controlar a situação que vem ganhando uma amplitude e visibilidade ainda maior com a presença da imprensa mundial, além de gerenciar a crise de imagem que a cidade vinha passando. A situação da crise como um todo, dos avanços da polícia e das baixas dos traficantes é atualizada a todo instante, num bombardeio de informações.
De fato, existem muitos interesses, forças e imagens em jogo. Talvez, por isso, diante de tamanha complexidade, o grau de dificuldade de gerenciamento dessa crise seja tão alto. Se, por um lado, essa ação pode ser vista com temor pelos espectadores, movidos pelo sensacionalismo da imprensa. Por outro lado, tenta-se construir uma idéia de limpeza, como se esses criminosos fossem o "lixo" da sociedade e, portanto, descartáveis. Nesse momento todos parecem esquecer que esses bandidos são um produto de nossa sociedade excludente. A educação e a arte podiam ser alternativas para que esses jovens não se interessassem pela vida do crime. O presidente do Afrogueto - grupo que mistura vários ritmos como rap, soul e reggae além de fazer um trabalho social e educador importante nas favelas - tentou apaziguar a situação sem sucesso, tamanho o clima de acirramento. Parece que suas letras de rap já anunciavam essa crise.
Nesse jogo, as polícias, principalmente, tentam trabalhar sua imagem, que vinha sofrendo um certa desmoralização e desconfiança. É possível ver claramente como a mídia constrói opiniões numa velocidade assustadora. Em quase todos os noticiários brasileiros, entrevistas com civis aplaudindo e apoiando os policiais como heróis são exibidos repetidamente. Como reflexo disso, houve um número recorde de ligações ao disque denúncia e um apoio sem precedentes para a operação por parte da população. De alguma forma, o população local retomou valores que estavam há muito esquecidos, como a cidadania e a participação.
“A crise de imagem é a ameaça à perda do mais importante ativo de uma pessoa ou de uma organização: a sua reputação. A imagem é a atribuição de qualidades ou defeitos a alguém ou a alguma coisa, que não são necessariamente verificados objetivamente”, pondera Olga Curada, jornalista e Consultora de Comunicação. Com os holofotes do mundo inteiro voltados para si, o Rio de Janeiro tem a chance de pelo menos amenizar esse imenso problema social, ainda que temporariamente, e reverter a imagem de insegurança para a de uma cidade segura e capaz de receber os maiores eventos do esporte mundial. Porém, só o fato de ter chegado a esse ponto já preocupa muito e põe sua credibilidade em xeque.
Nesse jogo, as polícias, principalmente, tentam trabalhar sua imagem, que vinha sofrendo um certa desmoralização e desconfiança. É possível ver claramente como a mídia constrói opiniões numa velocidade assustadora. Em quase todos os noticiários brasileiros, entrevistas com civis aplaudindo e apoiando os policiais como heróis são exibidos repetidamente. Como reflexo disso, houve um número recorde de ligações ao disque denúncia e um apoio sem precedentes para a operação por parte da população. De alguma forma, o população local retomou valores que estavam há muito esquecidos, como a cidadania e a participação.
“A crise de imagem é a ameaça à perda do mais importante ativo de uma pessoa ou de uma organização: a sua reputação. A imagem é a atribuição de qualidades ou defeitos a alguém ou a alguma coisa, que não são necessariamente verificados objetivamente”, pondera Olga Curada, jornalista e Consultora de Comunicação. Com os holofotes do mundo inteiro voltados para si, o Rio de Janeiro tem a chance de pelo menos amenizar esse imenso problema social, ainda que temporariamente, e reverter a imagem de insegurança para a de uma cidade segura e capaz de receber os maiores eventos do esporte mundial. Porém, só o fato de ter chegado a esse ponto já preocupa muito e põe sua credibilidade em xeque.
Assistimos há pouco tempo atrás o sucesso de Wagner Moura nos cinemas, interpretando o Capitão Nascimento. Das telas do cinema para a vida real. É possível encontrar arte nessa guerra? A arte bem que podia dar dignidade para um monte de gente dessas comunidades tomadas pelo terror e, consequentemente, tirar muitos jovens do ciclo do crime. Mas será que isso daria lucro para a indústria das armas e das drogas? Muitos poderosos, com certeza, sairiam perdendo espaço e lucros com isso.
Mas afinal, quem está gerenciando melhor sua imagem nessa situação? A polícia, cuja reputação andava em baixa há algum tempo, vide o sucesso de tropa de "Elite 2"? Ou o governo, que acha que está limpando a cidade de bandidos, distanciando o foco da sua inoperância administrativa? Ou ainda os traficantes que continuam resistindo apesar da desvantagem?
Mas afinal, quem está gerenciando melhor sua imagem nessa situação? A polícia, cuja reputação andava em baixa há algum tempo, vide o sucesso de tropa de "Elite 2"? Ou o governo, que acha que está limpando a cidade de bandidos, distanciando o foco da sua inoperância administrativa? Ou ainda os traficantes que continuam resistindo apesar da desvantagem?
Enquanto isso, a arte continua nos ajudando a enxergar melhor a realidade...






