domingo, 26 de setembro de 2010

Polêmica!! Arte marginal dentro da Bienal??



Na Bienal de Arte de São Paulo deste ano, que está em sua 29ª edição, o curador Moacir dos Anjos vai trazer para dentro do prédio da Bienal – como convidados – aqueles que foram expulsos do mesmo espaço em 2008 enquanto criminosos ou  invasores arruaceiros: a turma do pixo. 


A seguir, uma parte da entrevista do curador Moacir dos Anjos falando o porquê da inclusão do grupo na Bienal feita à Folha de São Paulo (para ler na íntegra a entrevista, cique aqui)

Folha - Por que incluir os pichadores da 28ª Bienal na 29ª edição do evento?
Moacir dos Anjos - Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que nosso intuito não é incluir 'os pichadores da 28ª edição'. Não se trata de um pedido de desculpas ou de um confronto com a edição anterior do evento. O que realmente queremos incluir na presente edição da Bienal é a pixação, ou simplesmente o pixo, com 'x' mesmo, grafia usada por seus praticantes para diferenciar o que fazem hoje em São Paulo das pichações político-partidárias, religiosas, musicais, ou mesmo ligadas à propaganda que há vários anos enchem os muros e paredes da cidade, a despeito do quão 'limpa' ela queira apresentar-se. E queremos incluí-lo porque achamos que o pixo borra e questiona os limites usuais que separam o que é arte e o que é política. E essa é uma questão que interessa muito ao projeto curatorial da 29ª Bienal.
Lembro que política é aqui entendida não como espaço de apaziguamento de diferenças, mas justamente o contrário. Ou seja, como o espaço formado pelos atos, gestos, falas ou movimentos que abrem fissuras nas convenções e nos consensos que organizam a vida comum. Ou seja, como bem coloca o filósofo francês Jacques Rancière, política entendida como esfera do "desentendimento".
Essa é uma questão que, evidentemente, envolve uma série de dificuldades para que essa aproximação não se dê somente na superfície e, portanto, escamoteando as diferenças existentes, situação que não interessaria nem a nós nem aos pixadores. A nossa aposta é em descobrir formas novas de tratar do assunto com integridade de ambas as partes, sem que instituição e pixadores cedam completamente ao universo da outra.

Caravaggio

Independente de qualquer coisa, vale lembrar: cada linguagem, forma de expressão ou processo da arte é reflexo do seu tempo. Elas se sobrepõem ao que já existe, pois há espaço para todos, para depois se desdobrar em vários caminhos.

Caravaggio


Para muitos  pode ser absurdo comparar. Mas, o hoje novamente badalado Caravaggio, um gênio inquestionável e criador das obras acima, foi durante séculos taxado por muitos como um mero arrivista social. Ao mesmo tempo que ele trabalhava para a Igreja Católica para se proteger das bobagens que cometia, segundo alguns historiadores, ele também trouxe a fé novamente ‘’down to earth’’, aproximando a religião das ruas e colocando mendigos e prostitutas como modelos de seus quadros. A história pode se repetir, inserindo os excluídos ("pichadores"), discriminados na sociedade.


Referência: 

Folha.com 
Portal Arte & Cultura

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